Editorial: O nacional pessimismo
Uma boa amiga e reputada especialista em tecnologias de informação em Saúde, a Engª Fernanda Laires, enviou-me por correio electrónico esta fotografia aqui ao lado, que muito agradeço, com o título: "1ª foto do metro do Terreiro do Paço". A curiosidade levou-me a abrir esta mensagem entre as muitas que a falta de tempo me leva, e verifiquei com agrado a piada que lhe está subjacente (clicar na imagem para ampliar).
O gozo pela "desgovernação" é um apanágio dos portugueses. Esta característica remonta talvez ao nosso tempo como Lusitanos: já os romanos diziam "estranho povo este que não se governa nem se deixa governar". E somos assim, com algumas excepções. A má gestão pública ocorre, é sabido. Ouve-se dizer por toda a parte e fica-se com a sensação de que ninguém faz nada. E quem paga pelos pecados dos maus governantes? São justamente os bons governantes que têm sempre atrás de si uma pesada herança.
Depois dos exemplos de má governação como o caso das obras do metro do Terreiro do Paço, ou dos anos sem fim que levou a construir o Alqueva, ou da grande bronca do túnel do Marqués, ou da triste tragédia da Ponte de Entre os Rios, é natural que o Povo desconfie quando um Governo quer tomar uma medida bem intencionada. O saldo de credibilidade da gestão das coisas públicas é muito negativo e quando se anuncia a construção de um novo aeroporto ou quando se anuncia o encerramento de maternidades fica lançada a polémica.
A sociedade portuguesa é belicosa em relação ao poder político, de quem se sente distanciada. Justamente porque é uma sociedade apolítica. Não se envolve de uma forma democrática, não participa nos momentos onde poderia e deveria ter uma voz activa. Será que a culpa é dos partidos que não se abrem suficientemente à sociedade? Ou dos cidadãos que preferem o regozijo das piadas sobre a má governação em vez de darem o seu contributo?
Numa conferência no Porto, o Prof. António dos Reis, do ISEG, contava uma história curiosa, do tempo dos seus bisavós. Sempre ouviu dizer que as coisas estavam mal e a culpa era do Governo; depois veio a República, as coisas estavam mal e a culpa era do Governo; depois veio Salazar, as coisas estavam mal e a culpa era do Governo; depois veio o 25 de Abril, as coisas estavam mal e a culpa era do Governo; finalmente nos dias hoje, fecham as maternidades e a culpa é do Governo.
Ninguém se apercebe de que o Estado somos todos nós. A má governação é o resultado de um fraco envolvimento dos cidadãos numa sociedade democrática que oferece por natureza uma vastidão de formas de intervir de forma directa ou indirecta na "governação" do seu País, do seu Estado. Aos políticos compete ajuizar a necessidade de envolver a cidadania nas suas decisões e acabar de vez com esse divórcio, esse distanciamento entre cidadão e governo, e juntos construirem compromissos e soluções de consenso.
Por exemplo: fecham-se as maternidades locais, mas os cidadãos podem registrar o nascimento dos filhos na freguesia da sua própria terra. Ou, com as poupanças conseguidas com o fecho da maternidade, aumentar o nível de serviço no seguimento pediátrico pós-parto (o médico vai a casa uma vez por mês), etc., etc. Na realidade aquilo que os especialistas denominam por "joint problem solving" é o resultado de técnicas conhecidas que podem ser empregues com as metodologias adequadas. Uma governação narcisista e distante do cidadão acaba por redundar na piada do 1º metro no Terreiro do Paço. Dizem que o bom humor faz bem à Saúde, mas eu preferia rir-me de outras coisas. Como sugeriu o Prof. António dos Reis, no Porto, eu sou como um colibri: levo a minha gotinha de água para apagar esse enorme incêndio que é o "nacional pessimismo". E sou persistente. Se todos fizermos o mesmo, seguramente estaremos a construir melhor saúde para um Portugal melhor.
PNA
Laboratório Português é Referência Mundial
Com 15 anos de existência e mais de três milhões de euros investidos em equipamento de alta tecnologia, o Centro de Genética Clínica é referência a nível mundial no que respeita a testes de diagnóstico. A entrada em Espanha deverá acontecer até ao final deste ano.
Criado em 1983, inicialmente para prestação na área das consultas de Genética Médica, só em 1991 é que o laboratório se transformou no Centro de Genética Clínica (CGC), tal como hoje é conhecido. Foi depois de trabalhar durante seis anos em serviços de genética de hospitais de Nova Iorque, que Purificação Tavares, especialista em genética médica e fundadora do CGC, percebeu que havia espaço para melhorar a prestação laboratorial da época. Daí à organização de um laboratório de citogenética, como complemento da consulta, foi um pequeno passo. Actualmente o laboratório desenvolve a sua actividade em quatro áreas laboratoriais distintas: biologia molecular, citogenética, patologia fetal e rastreio pré-natal. A reputação mundial foi granjeada através da realização dos testes de detecção do Síndrome de Alström, uma doença hereditária muito rara. O CGC é o único laboratório no mundo que desenvolve este tipo de testes e por isso recebe amostras de ADN para análise de países como Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Também é um dos dois únicos laboratórios mundiais a realizar análises para o Síndrome de Cohen, outra patologia de carácter raro.
Do Porto para o resto do mundo
Sedeado no Porto e com instalações em Lisboa, o CGC tem uma equipa de 70 colaboradores, entre os quais oito doutorados e 35 licenciados. Na sua lista de clientes conta com todos os hospitais públicos e SA, bem como várias unidades de saúde privadas portuguesas e estrangeiras, sendo responsável por um terço dos diagnósticos pré-natais efectuados no nosso país.
"Nos últimos tempos destaca-se o aumento dos nossos clientes internacionais. Hoje recebemos amostras provenientes de hospitais e instituições de países como o Canadá, EUA, Reino Unido, Suécia, Alemanha, Bélgica, Brasil, Espanha, Arábia Saudita e Angola", afirma Purificação Tavares.
As dificuldades do mercado
Sem qualquer subsídio estatal e com um crescimento médio anual na ordem dos 38%, o volume de negócios do CGC ronda os 3,3 milhões de euros. Purificação Tavares considera que a concorrência provocada pelo próprio Estado e por empresas privadas apoiadas por financiamento público causam uma distorção de mercado.
"O CGC tem sentido necessidade de evoluir empresarialmente. Lembremo-nos de que se trata de uma empresa privada, com laboratórios de vertente científica, não-subsídio-dependente. Ao contrário do que se passa noutros países, no nosso país a concorrência vem do próprio Estado e de empresas privadas apoiadas por financiamento público, causando uma total distorção de mercado", salienta a responsável.
Como o mercado português é muito pequeno em termos populacionais, a solução passa pela internacionalização do laboratório, procurando obter no exterior mais de metade da facturação. Até ao final deste ano, o CGC expandirá a sua actividade a Espanha. A administração tem ainda recebido propostas para parcerias internacionais com outros laboratórios, o que facilitará a penetração no mercado externo.
Fonte: Diário Económico, 16/05/2006 (reduzido)
e-learning no Hospital
O Centro de Supercomputação da Galiza (CESGA) e a Universidade de Santiago (USC) vão promover a formação de doentes que têm de passar longos períodos hospitalizados, através do projecto e-Hospital, resultado de um acordo entre aquelas duas entidades e a Fundação Juan Canalejo. A inicitiva vai beneficiar os pacientes com lesão medular internados no Hospital Juan Canalejo, em La Coruña, que vão poder ter formação em Tecnologias da Informação e da Comunicação.
O e-Hospital é um projecto a nível comunitário e tem como objectivo proporcionar aos doentes internados por longos períodos de tempo uma ocupação útil para o tempo que passam no hospital, normalmente considerado tempo perdido, tanto a nível pessoal como profissional. Preenchendo esta quebra ao nível da aprendizagem, o projecto pretende contribuir para facilitar a integração posterior na vida activa. O CESGA e a USC desenvolveram então um curso que poderá abranger um total de 25 doentes do hospital e que pode ser acompanhado desde o interior do próprio hospital.
A experiência começará simultaneamente em todos os países que participam no projecto comunitário e em Espanha o “Curso Básico de Tecnologias da Informação e da Comunicação para a Reinserção Laboral” vai incidir sobre aspectos básicos da informática e terá formação on-line e aulas práticas, das quais poderão usufruir doentes com lesões medulares com idade entre os 18 e os 30 anos.
O projecto já está a ser desenvolvido a nível comunitário há cerca de dez meses e conta com a participação de instituições educativas da Áustria, França, Alemanha, Polónia e Espanha, coordenadas por uma instituição austríaca (mais)
Eficiência nos Hospitais em Debate
A Newvision, empresa fornecedora de sistemas inteligentes para soluções de atendimento, em colaboração com a Microsoft, organiza o evento “O Aumento da Eficiência no Atendimento Hospitalar”, com o objectivo de debater novas soluções para melhorar a qualidade dos serviços nos hospitais portugueses.
Sendo a qualidade do atendimento na área da Saúde um dos principais problemas no sistema hospitalar, a solução para este problema tem de passar inevitavelmente pela aplicação das TIC ao sector. É inegável reconhecer que as novas tecnologias da informação e comunicação abrem novas possibilidades de desenvolvimento no sentido de uma maior agilidade na prestação de bens e serviços e de uma eficiente utilização de meios e recursos no atendimento hospitalar. Torna-se, portanto, essencial saber de que forma elas podem ser utilizadas em prol dos mais directamente implicados no sector da saúde: utentes e profissionais.
O evento está direccionado para os Conselhos de Administração das Unidades de Saúde ou seus representantes e decorrerá no próximo dia 29 de Maio, pelas 14h, no Auditório Microsoft em Lisboa.
Agenda
14h00 - 14h30 Recepção / Welcome Coffee
14h30 - 15h00 SQL / BI - "Microsoft Business Intelligence" - Engº André Amaral
15h00 - 15h15 Newvision Saúde
15h15 - 15H45 Demo soluções
15h45 - 16h00 Coffee Break
16h00 - 16h30 A Variabilidade e a Gestão Operacional – Engª Zélia Carvalhais (Administração - Hospital de Santa Maria) e Prof. Carlos Bispo (Sistemas e Robótica – IST)
16h30 - 17h00 Sinase / Hospital do Futuro - A Qualidade de Serviço e a Eficiência
17h00 - 17h30 Case Study – Hospital do Barreiro - Integração com o Sonho (HPG)
A participação no Evento está dependente de confirmação de lugares.
Confirmar presença com a maior antecedência possível para:
Telefone: 21 710 1660 Fax: 21 710 1620
E-mail:sonia.pina@newvision.pt
