Estou em falta com alguém

Franciahuelga20 Chegámos ao fim do ano. Novembro está aí e num instante chegaremos a Dezembro. Não é dificil ver que este ano já acabou. As reformas que tinham que ser feitas estão em marcha, o que fica por fazer fica agora para o ano. Não que isso tenha alguma importância prática, pois o chamado "rame-rame" das coisas que se fazem todos os dias, como sempre têm sido feitas até aqui, irá continuar indiferente ao passar dos anos, até que as forças da nova economia as façam extinguir. Falo do caso concreto das Sub-Regiões de Saúde, da sua ventilada extinção. Falo do eternamente adiado debate da regionalização das funções da governação do Estado, cujo estatuto nas actuais regiões autónomas está hoje debaixo de escrutínio. Mas afinal qual a regionalização de que precisamos em Portugal? E como é que isso pode impactar a Saúde dos portugueses?

Inúmeros leitores que nos contactam perguntam pelo devir futuro das Sub-Regiões de Saúde e na sua inquietude reside o problema. A falta de confiança dos próprios servidores do Estado na forma como este gere a mudança. Se os empregados do Estado não confiam no saber-fazer da sua entidade patronal quando toca à mudança organizacional, que resultados podemos esperar da tão necessária reforma do Estado? Os exemplos que nos chegam dos urgentes processos de restruturação em curso noutros ministérios em nada contribuem para mitigar esta má imagem de arbitrariedade e falta de capacidade de diálogo para fazer uma mudança organizacional co-construida com os próprios servidores do Estado.

Mas talvez o ingrediente indispensável para o êxito das reformas do Estado, o conseguir a adesão dos trabalhadores, seja hoje uma tarefa impossível. Pois os trabalhadores do Estado estão hoje reféns de uma velha instituição que ela própria sofre enormes pressões para a mudança: falo obviamente dos sindicatos. Na sua origem, os sindicatos eram verdadeiros obreiros da democracia. Mas cedo se viu como estas organizações podiam ser permeáveis a outros fins que não os seus legítimos. Nos EUA, como na Europa, a máfia e os escândalos financeiros vitimaram os mais importantes sindicatos ou centrais sindicais, sem excepção na Península Ibérica e em Portugal.

Hoje a nova economia coloca em xeque o papel dos sindicatos no actual século XXI. Qual o seu papel junto dos agentes em cuja acção diária pode estar toda a diferença entre êxito ou inêxito de uma mudança organizacional? Qual a sua posição face a uma reforma que é pensada para fazer a diferenciação dos trabalhadores e das suas carreiras, ou seja, pôr em causa a própria razão de ser dos sindicatos enquanto organizações de massas?

Talvez o diálogo tenha que começar por aí. O Estado deve ajudar os seus sindicatos e outros agentes da concertação social a encontrarem o seu novo papel na actualidade. Antes de poder levar por diante as tão esperadas reformas do Estado, este deverá demonstrar eficazmente que aquilo a que se propõe é melhorar as condições de empregabilidade dos que ficam (e, por arrasto, a qualidade do atendimento do cidadão) e que os que ficam de fora o façam em excelentes condições. É fundamental gerar e manter a confiança dos agentes na capacidade do Estado se tornar ele próprio um excelente gestor da mudança. Assim, talvez garanta a eficácia das suas reformas. A alternativa é a criação de instabilidade social, o terreno favorito das oposições políticas para fazerem perder votos a quem está no poder, sem que necessariamente tenham melhores alternativas para a governação.

— Imagem obtido no site da Telecinco, em contexto original: aqui

IV Fórum Hospital do Futuro

Iv_frum_ Vai decorrer no próximo dia 2 de Novembro, na FIL, em Lisboa, o IV Fórum Hospital do Futuro, com o tema “Serviços de Saúde: Inovar para Sobreviver”. O objectivo deste evento é debater a inovação em Saúde, a partir da apresentação dos projectos vencedores dos Prémios Hospital do Futuro 2005/2006. Distribuídos pelos painéis “Hospital do Futuro”, “Tecnologia ao Serviço da Proximidade”, “Inovar nos Serviços Tradicionais de Saúde” e “A Iniciativa Privada e dos Cidadãos”, os representantes de cada instituição vencedora vão explicar ao auditório como foi possível pôr em prática um projecto inovador e quais as respectivas dificuldades e vantagens.

Preside ao IV Fórum HdF o Dr. João Nunes de Abreu, Presidente do Fórum Hospital do Futuro, e estão já confirmados como moderadores a Drª Arminda Neves, Coordenadora Adjunta do CNEL (Gabinete da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico), o Dr. Manuel Brito, do Conselho de Administração do Hospital de São José, e o Dr. Rosado Pinto, do Conselho de Administração do Hospital de D. Estefânia.

As inscrições estão abertas até 30 de Outubro. Conheça o programa e inscreva-se no site do Fórum Hospital do Futuro.

Nº2 da Revista Hospital do Futuro disponível no final de Outubro!

Hdf_revista_capa_1 A segunda edição da Revista Hospital do Futuro estará disponível ao público a partir do dia 30 de Outubro. Este segundo número traz mais notícias, mais reportagens e mais opinião, oferecendo ao público conteúdos enriquecidos com a participação de especialistas de diversas áreas. Entre os temas abordados, destacam-se:

·         Serviço Regional de Saúde da Madeira: uma reportagem sobre a reestruturação do SRS da Madeira, que aborda a questão da Rede de Cuidados Continuados Integrados, da desburocratização, da inovação tecnológica,  das soluões para os problemas de saúde da região.

·         Criopreservação de Células Estaminais: um olhar sobre esta forma de preservar no presente a cura para doenças do futuro, técnica que começa a ser cada vez mais utilizada em Portugal e tem grandes potencialidades no que respeita ao tratamento de doenças.

·         Gripe das Aves: um artigo da Johnson Diversey, que aborda a problemática da Gripe das Aves em Portugal, fazendo uma retrospectiva dos acontecimentos respeitantes a essa temática e apresentado opções para um combate eficaz a uma possível pandemia.

·         Prémios Hospital do Futuro 2005/06: Destaque para as organizações premiadas que constituem um exemplo a seguir ao nivel das melhores práticas em Saúde no nosso país.

Com uma tiragem de 5.000 exemplares para distribuição a subscritores e em eventos da especialidade, esta revista dirige-se aos utentes e profissionais das organizações de saúde em Portugal. Consulte o site do Fórum Hospital do Futuro para saber como obter um exemplar.

Curso Pós-Graduado de Aconselhamento Genético em Cuidados de Saúde Primários

Curso_aconselhamento_gentico O Colégio de Genética Médica, em colaboração com o Colégio de Medicina Geral e Familiar e o Colégio de Saúde Pública, da Ordem dos Médicos, está a organizar o Curso Pós-Graduado “Aconselhamento Genético em Cuidados de Saúde Primários”. Os objectivos deste curso passam por aumentar os conhecimentos básicos sobre genética e aconselhamento genético, promovendo as boas práticas na área deste tipo de aconselhamento junto de Médicos, Enfermeiros, Psicólogos, Técnicos de Serviço Social e outros profissionais de Saúde, os destinatários do curso.

Com as soluções na área da genética a ocuparem um espaço cada vez mais importante na Medicina e com o crescimento da área em Portugal, este curso pretende aprofundar o debate em torno desta questão, através da discussão das competências na área do aconselhamento genético, da promoção da articulação entre as diferentes profissões e especialidades e da sensibilização para os apectos éticos e legais da genética e do aconselhamento, entre outros temas.

O Curso vai decorrer de 26 a 28 de Outubro, na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, e contará com a presença do Dr. Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos, da Professora Doutora Purificação Tavares, Directora Clínica do Centro de Genética Clínica, e da Drª Paula Martinho da Silva, Presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, entre outros especialistas nacionais e internacionais. Mais informações: antonio.pinheiro@nortemedico.pt.

Telefonemas médico-doente com tradução simultânea

Traduo_simultnea Quando o médico quer acompanhar a evolução do seu paciente ou quando necessita de falar com um doente por telefone, a barreira da língua deixou de ser problema nas chamadas telefónicas efectuadas para esse fim. O Centro Hospitalar Carlos Haya, em Málaga (Espanha), já realizou cerca de 600 chamadas em que o médico e o paciente falam línguas diferentes, mas mesmo assim conseguem compreender-se. Isto é possível através de um sistema de tradução telefónica simultânea, a funcionar desde o final de 2004, que permite que os médicos falem espanhol com doentes que apenas falem inglês, árabe, alemão, francês ou cherja (idioma do norte de África). 

Apesar de falarem línguas diferentes, o paciente pode explicar os seus sintomas, o médico pode fazer as suas perguntas e explicar o tratamento a seguir e o doente pode colocar as suas dúvidas. Os especialistas em tradução simultânea que trabalham no call center do centro hospitalar gerem todas as chamadas e permitem o contacto entre duas pessoas que, de outra forma, teriam muito mais dificuldade em comunicar. Para José Raúl Dueñas, Sub-Director de Atendimento ao Utente do Hospital Regional Universitário Carlos Haya, as vantagens deste sistema são inequívocas: “Por um lado, evita a presença de tradutores em cada hospital, já que uma só equipa de tradutores responde às solicitações dos cinco centros do complexo hospitalar. E, fundamentalmente, aumenta a qualidade de atendimento dos utentes, pois a possibilidade de um estrangeiro se poder expressar na sua língua tranquiliza-o bastante.” Além disso, José Raúl Dueñas defende que este sistema é uma grande ajuda para os médicos, porque conseguem perceber muito melhor a situação dos pacientes e portanto podem oferecer diagnósticos e tratamentos mais precisos.

Esta iniciativa pioneira teve origem na alta taxa de utilizadores estrangeiros do centro hospitalar e, até agora, o idioma mais falado no call center foi o inglês (43,2%), seguido do árabe (37,3%), do alemão, do cherja e do francês. O objectivo é aumentar progressivamente as línguas disponibilizadas, como será o caso do romeno, o ucraniano, o russo ou o chinês.