Editorial: O País do Terreiro do Paço
Não me considero uma pessoa suficientemente velha para falar dos tempos de antigamente, mas é curioso que nestes dias dou comigo a pensar nos traços culturais que fazem de Portugal o país que ele é, sobretudo agora que trabalho também em Espanha: posso ver as coisas com uma certa distância.
Atenção, que sou um alfacinha nado e criado na cidade nos anos sessenta. Lembro-me perfeitamente de todas as coisas que aparecem na canção "cheira bem, cheira a Lisboa", das conversas em família do Presidente do Conselho, enfim, do Portugal gerido a partir do Terreiro do Paço - emblema do poder central Pombalino que até hoje parece perdurar.
Portugal evoluiu, é certo. Parou a guerra colonial, entrou para a União Europeia, os gloriosos anos de crescimento económico, o centro comercial Colombo, o desaire da governação PSD, o advento da maior maioria de sempre PS, o novo aeroporto do Porto, cada vez mais esperança de vida para os portugueses, etc., etc. Ainda assim, sinto que nos falta aquele "bocadinho assim", como no anúncio da Danone, para sermos uma democracia realmente evoluida. O que é esse pouco que nos falta?
Desde logo, não ter um telejornal nacional a abrir com a falta de chegada de uma ambulância ao Alentejo. Não que não seja grave morrer um português por falta de assistência médica em tempo útil em Odemira: isso é muito grave, sobretudo se a sua vida poderia ter sido salva de outro modo! Mas a maior gravidade desta situação é que as decisões para que em Odemira possa haver (ou não) uma resposta atempada à emergência médica tenham que ser tomadas no Terreiro do Paço… e ninguém parece importar-se com isso.
A história repete-se vezes sem fim. Se não é por uma ambulância em Odemira, é pela demissão de um chefe de serviço nos Hospitais de Coimbra, ou pela demissão em bloco de um conselho de administração em Viseu, enfim, tudo vem ter ao Terreiro do Paço. E lá sai o Senhor Ministro para apaziguar as gentes, sair no telejornal a comentar aquilo que na minha perspectiva não merece o mínimo comentário pela sua parte: são problemas de gestão que devem estar na mão dos que lá estão.
Em nenhum país que eu conheça uma ambulância que não chega a tempo abre um telejornal nacional, excepto talvez no telejornal regional da Andaluzia ou na Galiza… mas no horário das 6 da tarde. Em Portugal é diferente. Trata-se talvez de um jogo entre o gato e o rato (leia-se: os media e a classe política). Uns dão a possibilidade aos outros de fazerem a sua aparição heróica, como Ministros do Terreiro do Paço, dando a sensação pública que vêm resolver os problemas "in loco" e o País dorme mais descansado. Ninguém vê que isto não é sistema!
Ao lembrar-me dos tempos de antes, ocorre-me também um dizer antigo que rezava: "para lá do Marão mandam os que lá estão". Julgo que um governo eficaz deve ser aquele que consegue que esta máxima seja realidade em todos os pontos do país, pugnando para que sejam as populações elas próprias a decidir sobre o governo dos recursos públicos que lhes possam ser afectos, da forma mais democrática e equitativa possível, fazendo responder os responsáveis locais pelos seus actos de gestão e ser consequentes. Se o Estado se organiza por Regiões de Saúde, terão que ser estas quem responde perante a população pela forma como estão a ser geridos os recursos na sua região. Que ninguém se iluda: este princípio da subsidariedade é o antípoda da governação "Terreiro do Paço". Mas urge implementá-lo em Portugal. É esse mesmo princípio aplicado na prática que faz grandes todos os grandes países da Europa (mesmo os mais pequenos).
PNA ————————-
Imagens nos contextos originais:
http://luminescencias.blogspot.com/2005/06/enterrar-os-mortos-e-cuidar-dos-vivos.html
http://baixapombalina.blogspot.com/2004/12/o-terreiro-do-pao-volta-brilhar-com.html
Quase todos os hospitais portugueses ligados à Internet
97,5% dos hospitais portugueses estão ligados à Internet e 93,9% acede à rede através de banda larga. Estas são as principais conclusões do Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nos Hospitais em 2006, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), onde se pode constatar também que Lisboa é uma zona do País onde as médias estatísticas são geralmente superiores às nacionais e que todos os Hospitais do Alentejo e da Região Autónoma da Madeira acedem à Internet através de banda larga.
O Alentejo apresenta também valores muito superiores à média nacional no que toca à prática de teleMedicina: enquanto que no geral apenas 22,8% dos hospitais tinha praticado alguma actividade de teleMedicina em Junho de 2006, os hospitais alentejanos apresentavam nessa altura valores na ordem dos 55,6%. A nível nacional, a prática da teleMedicina está sobretudo relacionada com o telediagnóstico e a teleconsulta.
Os hospitais portugueses começam também a responder às necessidades de informação on-line para os cidadãos, sendo que 58,1% destas instituições tem um website e mais de metade daqueles que ainda não disponibilizam aos seus utentes este serviço está a desenvolvê-lo. A informação fornecida pelos websites é sobretudo de carácter institucional e relacionada com os serviços prestados, mas também se divulga o endereço electrónico para contacto directo e informação sobre a localização e acesso às instalações. A marcação de consultas on-line está ainda pouco desenvolvida, já que menos de 10% dos websites dos hospitais disponibiliza esta funcionalidade.
De um modo geral, constata-se que os Hospitais Oficiais ultrapassam a taxa de informatização dos Hospitais Particulares, nomeadamente no que diz respeito à utilização de equipamentos e serviços informáticos e informatização de actividades de gestão.
Este Inquérito foi realizado de Agosto a Outubro de 2006 a todos os Hospitais englobados nos sectores Oficial (Público e Não Público) e Particular em Portugal Continental, na Região Autónoma dos Açores e na Região Autónoma da Madeira, pelo INE, em colaboração com a UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento, IP. Os dados são relativos a Junho de 2006.
Mais informações em www.ine.pt
Número de mortes por cancro diminui nos EUA
Um relatório da Sociedade Americana do Cancro revela que, pelo segundo ano consecutivo, o número de mortes por cancro nos EUA está a diminuir, o que leva os especialistas a afirmar que poderemos estar perante o início de uma tendência de decréscimo contínuo e não apenas um acaso estatístico.
Os números apresentados dizem respeito a 2004, último ano com informação disponível, e mostram que, em comparação com 2003, foram registadas menos 3.014 mortes por cancro. O cancro colorrectal foi o que apresentou uma maior descida, tanto em homens como em mulheres, seguido do cancro da mama e do cancro da próstata. As razões apresentadas como justificação para estes números prendem-se sobretudo com a maior disponibilidade e eficácia dos meios de diagnóstico e tratamento destes tipos de cancro, juntamente com a maior adesão da população a acções de rastreio e a exames de diagnóstico periódicos. No entanto, defende-se que há ainda muito trabalho a fazer para alargar os rastreios a toda a população e traduzir esta capacidade de prevenção numa redução mais expressiva do número de casos e mortes por cancro.
Este decréscimo em dois anos consecutivos é ainda mais significativo se tivermos em conta que não se registava uma descida no número de mortes por cancro nos EUA desde 1930. O estudo apresentado este ano é mais rigoroso que os anteriores, visto que resulta de um novo método estatístico que utiliza dados de 86% da população americana e não apenas de 10%, como era feito até agora.
Linha de Saúde Pública disponível 24 horas por dia
Desde o início do mês de Janeiro que a Linha de Saúde Pública, da Direcção-Geral de Saúde (DGS), funciona durante 24 horas por dia, com o objectivo de dar informações úteis aos cidadãos e aos profissionais de saúde, esperando assim descongestionar as urgências hospitalares e as consultas médicas.
O 808 211 311 tem cobertura nacional e pretende ser um meio de acesso do cidadão ao Serviço Nacional de Saúde, disponibilizando informação sobre “um conjunto de cuidados de saúde, através de triagem, de aconselhamento e de encaminhamento orientados para a doença, incluindo as situações de urgência ou emergência”, como se pode ler no site da DGS. Com um telefonema, será possível obter informação importante no âmbito dos cuidados primários e da Saúde Pública, nomeadamente através do aconselhamento de acções a tomar para prevenir doenças e promover a Saúde. Os cidadãos poderão utilizar este número no caso, por exemplo, de o país enfrentar uma onda de Calor ou no caso de se suspeitar da existência de uma epidemia.
Os profissionais de saúde são aconselhados a utilizar a Linha de Saúde Pública para obter informação especializada, técnico-científica, actualizada. Do outro lado da linha trabalham 50 agentes (enfermeiros), distribuídos pelo País (dez por cada Administração Regional de Saúde), com exeriência e formação para aconselhamento nas várias temáticas disponíveis. Actualmente, a linha pode ser utilizada para questões relacionadas com calor, gripe, vacinação, informações ao viajante, cólera e contracepção de emergência, entre outros assuntos.
Detecção de Alzheimer antes dos sintomas
Uma técnica desenvolvida por investigadores da Universidade da Califórnia permite detectar a Doença de Alzheimer anos antes de surgirem os primeiros sintomas. Esta técnica baseia-se em imagens cerebrais captadas através de scanner que detectam depósitos de proteínas anormais no cérebro, sinais desta doença.
Até agora, a detecção dos depósitos de proteínas só podia ser feita através da recolha de uma amostra de tecido do cérebro ou através de uma autópsia. Os cientistas norte-americanos desenvolveram uma molécula que se une a proteínas anormais e permite que imagens PET (tomografia de emissão de positrões) possam fazer um diagnóstico correcto antes de a doença se manifestar.
Esta nova técnica conseguiu detectar quais as pessoas que sofriam de Alzheimer de entre os participantes no estudo, publicado na revista New England Journal of Medicine e que incluia também pessoas sem qualquer problema cognitivo. Poderá assim ter bastante utilidade no futuro como método de diagnóstico não invasivo para uma patologia que afecta actualmente cerca de 15 milhões de pessoas no mundo inteiro, esperando-se que nos próximos 30 anos este número suba até aos 40 milhões de doentes.
